Música e dança de feitiço e alumbramento.
Aprendendo a simplicidade do pequeno.
Texto por Thiago Fernandes Freitas, foto por Kátia Kuwabara.
"No fundo do mato-virgem nasceu Macunaíma, herói de nossa gente..."
No próximo sábado, dia 06 de agosto, é a vez de experienciar Carlos Drummond de Andrade em "A Rosa do Povo". Bate papo com Eduardo Sterzi.
Sábado das 15:00hs às 17:30hs.
Biblioteca Mário de Andrade
Rua da Consolação, 94.
Metro Anhangabaú.
O segundo parque, Lydia Natalizio, já havia recebido outras vezes o projeto Teatro nos Parques e o ambiente estava bem receptivo ao encontro. Na chegada fomos recebidos pelos guardas, o produtor do Teatro nos Parques e pelo cachorro Pirata, um cão que circula no parque e está acostumado a acompanhar as peças de teatro que ali se apresentam. Durante o aquecimento de voz Pirata ficou quietinho, deitado ao lado do círculo que formávamos. O público sentado no gramado debaixo de algumas árvores era composto de três gerações: filhos, pais, avós, tamanhos, cores, risos, olhares diversos. Digo sem titubear que foi a melhor apresentação que fizemos até hoje (e é muito bom para um grupo de teatro dizer que a última apresentação feita foi a melhor, sinal que a peça está viva e pode evoluir sempre!). Quando os pandeiros tocaram no "Grande Poder", Pirata começou a latir e assim ficou durante um bom tempo da canção, mas quando os berrantes soaram e chamaram Fulô, Pirata sossegou.
Como narradora, jogando com meus amigos amados, parceiros de cena e de reflexão sobre a arte, senti-me livre, conectada, inspirada pelo momento presente, que faz com que enxerguemos coisas antes veladas pela nossa vista embaçada e nossa mente condicionada. Brotou uma alegria outra, palhaços-narradores se apresentaram, portas se abriram através de gestos-chaves íntegros e precisos, todos os pequenos contratempos que aconteceram foram integrados à dança do momento presente com graça e leveza e, assim, voamos para outros mundos para voltar transformados e atuar no mundo em que escolhemos viver neste momento.
Assim que a narrativa acabou outra manifestação espontânea de uma mulher nos sensibilizou de maneira especial, como se outro entendimento do que é o nosso trabalho - que vai muito além dos nossos desejos e do que nossa consciência alcança -se revelasse dentro de nós:
- "Eu voei... Na minha idade, com 50 anos, não é fácil fechar os olhos e voar, e hoje eu voei em cima da águia."
Agradecemos a oportunidade de participar do Projeto Teatro nos Parques. Agradecemos aos produtores que nos receberam com alegria e prontidão, Dudu e Marcelo. Agradecemos ao Edson Caeiro, um dos coordenadores do Projeto, que esteve presente nos dois dias de apresentação. Agradecemos a todos que nos presentearam com suas presenças como público; aos amigos parceiros, Vila e Rune, sempre dispostos a doar seus talentos e equipamentos para nossos registros fotográficos e audiovisuais. Findo emprestando a simplicidade dos olhos verdes brilhantes, com suas cinco ou seis primaveras floridas, para agradecer à Força Divina: "Obrigada Pai, meu domingo foi maravilhoso."
Renata Vendramin


